Por Juliana Vicentini
A palestra abordou o desenvolvimento de modelos de IA que identificam e previnem realidades sintéticas para aumentar a confiança digital
Mateus de Pádua Vicente, doutorando do Instituto de Computação e membro do laboratório Recod.ai, participou da Semana de Computação da Unicamp (SECOMP26). É um evento anual que reúne estudantes, pesquisadores e profissionais para aproximar a universidade da sociedade.

Mateus Vicente na SECOMP. Crédito: Rogério Bordini.
Na ocasião, ele explicou sobre o Horus, projeto desenvolvido no laboratório que reúne pesquisas, métodos, ferramentas e aplicações na área de IA. O objetivo da iniciativa é aumentar a confiança digital em um cenário de intensa manipulação e criação sintética de imagens, vídeos, textos e áudios.
Vicente compartilhou as cinco linhas de pesquisa do Horus:
(1) aprendizado robusto, para que a IA aprenda características que funcionam quando o cenário muda;
(2) reconhecimento de conjunto aberto, o que faz com que a IA reconheça algo que não conhecia durante seu treinamento;
(3) aprendizado auto-supervisionado, que permite que os modelos aprendam a partir de grandes volumes de dados;
(4) aprendizado multimodal, para que a IA combine recursos audiovisuais e textuais;
(5) técnicas de fusão, que reúne diferentes evidências para que o modelo tome decisões melhores.
Segundo Vicente, as frentes de investigação trazem aplicações que beneficiam a sociedade. Dentre elas, detecção de deepfakes, identificação de mídias sintéticas de propósito geral, atribuição de autoria, reconhecimento de golpes, checagem de fatos, detecção de falsificações científicas, verificação de ataques e proteção de crianças.

Linhas de pesquisa e aplicações na área de IA do Projeto Horus. Crédito: Recod.ai, adaptado por Mateus Vicente.
No caso específico de deepfake, a tese de doutorado do Mateus, desenvolvida sob a orientação de Anderson Rocha, se dedica a ir além de uma classificação de conteúdos binária entre real e falso. O diferencial está na investigação para detectar a manipulação, localizá-la e explicar o que levou o modelo de IA a tomar a decisão após a análise do material.
O Horus é liderado por Anderson Rocha, coordenador do Recod.ai e docente no Instituto de Computação da Unicamp, e é composto por cientistas brasileiros e estrangeiros. A pesquisa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e tem duração de cinco anos.
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Material produzido com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Brasil (Processo nº 2025/26523-7), vinculado ao Projeto Horus do Recod.ai (Processo nº 23/12865-8).