Juliana Vicentini
Pesquisadores explicam como o modelo de IA detecta deepfakes e quais estratégia os eleitores podem utilizar para identificar conteúdos manipulados ou sintéticos
Nessa semana, o Jornal Hoje veicula uma série especial que mostra como a IA pode ser usada nas eleições de 2026. As reportagens abordam de que maneira as tecnologias funcionam, como elas podem auxiliar os candidatos na campanha eleitoral e ajudar os eleitores. Também mostram os riscos que elas trazem na produção de desinformação, o que pode impactar o resultado das urnas.
Os deepfakes, imagens e vídeos produzidos por IA, também são uma preocupação. Devido ao alto realismo, parte dos eleitores tem dificuldade em distinguir o que é real e o que é falso. Para auxiliar nessa tarefa, a equipe do Recod.ai, laboratório de Inteligência Artificial do Instituto de Computação da Unicamp, criou ferramentas especializadas para identificá-los.
No primeiro episódio da série “Eleições” produzida pela Globo, os pesquisadores explicam como o sistema de detecção funciona. Após analisar uma imagem ou vídeo, o modelo de IA gera mapas de calor compostos por uma escala de cores, na qual as áreas em vermelho indicam que o conteúdo é falso ou manipulado e as partes em azul, mostram os locais originais.
A ferramenta que detecta deepfake “olha textura, borda, iluminação, sombra e como que isso condiz com o restante da imagem”, explicou Anderson Rocha, coordenador do Recod.ai e docente da Unicamp. Mateus de Pádua Vicente, doutorando no Instituto de Computação, mostrou como a IA se apropria de imagens e vídeos de personalidades para gerar uma mídia ou manipulá-la.

Mateus Vicente, repórter Ismar Madeira e Anderson Rocha na série Eleições. Crédito: Reprodução Jornal Hoje.
Os especialistas recomendam que os brasileiros adotem uma postura de desconfiança diante de tudo que circula nas redes sociais e plataformas digitais, e que tenham um olhar mais atento. “A primeira coisa é desconfiar, olhar essas pistas de sombra e iluminação, ou ainda assim, procurar uma agência de checagem de fatos”, recomenda o professor Rocha.
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Material produzido com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Brasil (Processo nº 2025/26523-7), vinculado ao Projeto Horus do Recod.ai (Processo nº 23/12865-8).