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Pesquisadores da Unicamp participaram de reunião com Lula sobre IA e soberania digital

Por Juliana Vicentini

Dois cientistas do Instituto de Computação integraram os cinco especialistas convidados para discutir estratégias nacionais na área de tecnologia

Anderson Rocha, coordenador do Recod.ai, um dos maiores laboratórios de Inteligência Artificial da América Latina e Edson Borin, coordenador de uma das linhas de pesquisa do H.IAAC, hub de IA e arquiteturas cognitivas, estiveram no Palácio do Planalto nesta terça-feira (11). Ambos são referências mundiais na área de IA e ao lado do presidente, vice-presidente, ministros, especialistas e representantes do setor privado, debateram sobre os desafios e oportunidades do Brasil diante do avanço da IA.

Anderson Rocha e Edson Borin com Lula, Geraldo Alckmin e especialistas. Crédito: Ricardo Stuckert.

Em Brasília, os participantes defenderam que o país precisa traçar estratégias próprias de infraestrutura, dados, segurança e desenvolvimento de IA. A ideia é não ser mais consumidor de tecnologia de outras nações para alcançar a sua própria soberania digital. Os convidados ainda reforçaram que o objetivo não é competir com China e Estados Unidos da América, referências do setor, mas criar soluções que atendam às necessidades e interesses do Brasil.

Na visão dos presentes, a IA não pode ser compreendida como uma ferramenta, apenas. Ela deve ser considerada como um recurso estratégico de desenvolvimento do país. Por isso, eles defendem a produção de dados em solo brasileiro para que eles possam ser compartilhados com o Estado, a fim de que os ministérios possam atuar de maneira integrada. “Quem tem mais inteligência vira mais dono do pedaço do que o Estado que é dono de tudo”, afirmou Lula.

Segundo o vice-presidente, o território nacional reúne condições para o desenvolvimento do setor. “O grande limitador da IA no mundo é a falta de energia e o Brasil tem energia abundante, renovável, energia limpa, além de terras raras, um insumo fundamental”, lembrou Geraldo Alckmin. Apesar da infraestrutura não ser um impeditivo, Lula defendeu que é preciso aumentar o investimento nos segmentos de pesquisa, tecnologia e inovação.

A discussão de três horas envolveu representantes das áreas econômica, administrativa, energética, científica e de segurança, demonstrando a transversalidade do tema. Ainda integrou o conhecimento produzido nas universidades com a atuação das empresas e a capacidade do Governo Federal de implementar políticas públicas. “Esta reunião de hoje que vocês participaram, é o começo definitivo de que nós vamos entrar na era da IA, não tem mais volta”, disse Lula. A expectativa é que a agenda proposta seja implementada.

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Material produzido com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Brasil (Processo nº 2025/26523-7), vinculado ao Projeto Horus do Recod.ai (Processo nº 23/12865-8).