Por Juliana Vicentini
A iniciativa une pesquisadores, jornalistas e estudantes para acompanhar como a tecnologia é utilizada nas campanhas e debate público durante o pleito
No Brasil, as eleições de 2026 serão as primeiras a acontecerem em um cenário de amplo uso de IA generativa para a produção e circulação de conteúdos. Por isso, o VigIA foi criado para acompanhar como ela é utilizada, detectar possíveis violações das regras impostas pelo Supremo Tribunal Federal e contribuir para o combate a desinformação.
A iniciativa é resultado de uma parceria que envolve diversos atores. Dentre as instituições, Agência Lupa que é especializada em checagem de fatos; o Recod.ai, laboratório de Inteligência Artificial da Unicamp; centro universitário Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP); Meedan, organização que desenvolve ferramentas digitais para a defesa da veracidade.
O programa de monitoramento foi lançado em São Paulo na FAAP e contou com a presença de profissionais e estudantes. Mateus Vicente que faz doutorado e Fabio Carrella que é pós-doutorando no Recod.ai, estiveram no evento. Eles apresentaram o VigIA junto com Beatriz Farrugia que atua na Lupa e FAAP, e ainda participaram de mesa redonda sobre os impactos da IA nas eleições.

Mateus Vicente e Fabio Carrella repesentam o Recod.ai no lançamento do VigIA. Crédito: FAAP.
A coleta de conteúdos para o VigIA conta com a sociedade que pode enviar anonimamente pelo WhatsApp (21-99193-3751), imagens ou vídeos que considera suspeitos. A Lupa também faz buscas diárias em redes sociais e aplicativos de mensagens para investigação. O processo considera materiais gerados durante a campanha eleitoral: de 16 de agosto a 25 de outubro de 2026.
A análise técnica é realizada pelo Recod.ai. O material é preservado e avaliado considerando formato, resolução, contexto e possíveis sinais de manipulação. Se o conteúdo for suspeito, as ferramentas de detecção entram em ação. O Pixel-Inconsistency busca inconsistências no nível do pixel, apontando regiões para verificação. Já o Detect and Locate indica se há manipulação e onde está localizada. O FakeScope avalia as anomalias e explica os indícios encontrados.
Após a análise de dados das três ferramentas, a Lupa classifica as mídias conforme o nível de uso de IA detectado. Elas podem ser consideradas como: sem evidência técnica, com indício de manipulação ou geração pela tecnologia ou forte evidência de criação ou alteração artificial. A validação final depende da análise humana qualificada, aspectos técnicos e análise jornalística contextual.
Além da verificação de conteúdos adulterados ou sintéticos, o VigIA pretende comparar se as estratégias de uso de IA no Brasil se aproximam de campanhas eleitorais em outros países. Os resultados do programa serão compartilhados com diferentes atores que compõem o processo eleitoral, publicados no site, redes sociais e relatórios, e abordados em palestras e eventos.
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Material produzido com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Brasil (Processo nº 2025/26523-7), vinculado ao Projeto Horus do Recod.ai (Processo nº 23/12865-8).