Por Juliana Vicentini
Com o avanço da IA nas campanhas, especialista compartilha estratégias para reconhecer vídeos e áudios manipulados, e evitar a disseminação de desinformação eleitoral.
A produção e a circulação de conteúdos falsos criados ou manipulados por IA representam um dos principais desafios para a integridade da informação. Com a aproximação das eleições, esse tipo de conteúdo tende a se intensificar, tornando ainda mais importante saber identificar deepfakes.
Mateus de Pádua Vicente, doutorando no Recod.ai, laboratório de Inteligência Artificial da Unicamp, participou ao vivo do jornal TJ Aparecida para explicar como pesquisadores identificam mídias manipuladas por IA. “São detalhes sutis, então, às vezes, a borda de alguns objetos, a iluminação é inconsistente, sombras múltiplas ou não consistentes com a iluminação do local”.
Essas anomalias nem sempre são visíveis a olho nu, por isso, é preciso recorrer a tecnologia. “Existem ferramentas disponíveis online, mas elas não são totalmente confiáveis. No Recod.ai a gente tem desenvolvido essas ferramentas porque com o avanço da IA, só outra IA para conseguir detectar”, disse Vicente.

Mateus Vicente ao vivo no TJ Aparecida. Crédito: Reprodução TV Aparecida.
Os métodos variam e identificam “desde detalhes pequenos da imagem ou até um contexto mais amplo, incluindo a física do vídeo ou da foto para proporcionar uma explicação clara”, contou Mateus. Ele integra o Horus, projeto financiado pela Fapesp que desenvolve pesquisas dedicadas às realidades sintéticas.
O doutorando pontuou que ano eleitoral é um momento relevante para avaliar mídias produzidas ou manipuladas por IA, pois há mais circulação de mídias. Ele ainda advertiu que “a desconfiança é importante, não é qualquer conteúdo que é totalmente verdadeiro, a gente precisa de referências e jornalismo sério”.
Ao encerrar a entrevista, Vicente reforçou a visão defendida pelo Recod.ai de que a IA deve fortalecer as capacidades humanas. “A gente trabalha IA para o bem, de modo que a gente consiga impulsionar a criatividade e o trabalho para que todos nossos esforços possam ser facilitados pela IA”.
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Material produzido com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Brasil (Processo nº 2025/26523-7), vinculado ao Projeto Horus do Recod.ai (Processo nº 23/12865-8).